Chef, empreendedora e apresentadora de TV, Danielle conta como superou as barreiras do machismo, a escassez de capital para investimento, dividas e exigências do mercado

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Quem pensa que Danielle Dahoui, chefe-proprietária dos bistrôs Ruella, apresentadora do programa Hell’s Kitchen e jurada do BBQ Brasil (SBT), teve um caminho fácil para o sucesso está enganado. Com 28 anos de experiência no mundo do empreendedorismo, e 22 no setor de Alimentação Fora do Lar, Danielle “abriu o jogo” no 30º Congresso Nacional Abrasel | Mesa ao Vivo Brasília e contou toda a sua trajetória na gastronomia, dando um exemplo de determinação, coragem e criatividade para gerir negócios. 

Já aos 18 anos, Danielle começou a organizar festas em uma casa da família, em Petrópolis, a partir daí, o tino empreendedor surgiu e não parou mais. Decidiu confeccionar e vender roupas, experiência que a fez perceber a importância de conhecer bem o seu público e procurar sempre a satisfação do cliente.

Pouco tempo depois, o primeiro baque. O falecimento de uma amiga próxima fez com que Danielle largasse a confecção e saísse de Petrópolis para viver experiências planejadas pelas duas. Foi então que se mudou para Salvador e abriu uma barraca na praia, o seu primeiro negócio de alimentação. Mas não parou, voltou para o Rio de Janeiro para trabalhar com festas e juntou um dinheiro para ir para França. 

Duas semanas após deixar o Brasil, o dinheiro acabou. Sem dinheiro e sem falar francês teve dificuldade em conseguir emprego. Com muita persistência conseguiu uma vaga para lavar louças em uma escola que atendia 300 crianças. Por não ter completado o ensino médio não pôde ganhar a bolsa de estudos para cursar Gastronomia. 

Com a ajuda de um amigo conseguiu um estágio em um restaurante, onde vivenciou a dura realidade do machismo. Durante a palestra, a chef contou que não encontrou nenhuma mulher nas cozinhas em que trabalhou no país. “E eles faziam de tudo para me fazer desistir”, complementa. Mas Danielle se destacou, superou os obstáculos. Procurava entender e aprender as outras funções do restaurante. “Percebi que tinham muitas rixas entre os setores, e não pode ser assim”, contou destacando a importância do trabalho em equipe. 

Por problemas pessoais teve que voltar ao Brasil e aqui, mesmo com pouco capital, abriu o primeiro Bistrot Ruella. Logo no início mais experiências machistas. “Volta com o seu pai porque com você eu não vou falar”, essa foi a frase que escutou do proprietário do espaço que queria alugar. Novamente, superou. Fez dessas experiências uma força e o empreendimento se tornou um sucesso. 

O atendimento próximo, “como se fosse a extensão de sua casa” como explicou, cativou a clientela. No mobiliário, mesas e cadeiras vindas de restauração garantiam um ar simples e moderno ao restaurante, mas quem pensa que a ideia foi proposital está enganado. “As cadeiras eram diferentes porque eu pegava aos poucos para reformar porque não tinha dinheiro” lembra e se diverte a palestrante. 

Já consolidada no cenário gastronômico, mais um baque: o bistrot administrado por uma sócia acumulava uma dívida de R$2 milhões. Jogou limpo, conversou com os funcionários e explicou a situação. “Quando você treina, conhece os funcionários e os apoia, eles se tornam agentes multiplicadores. Todos ficaram e me apoiaram. Quando vi eles chorando comigo, ganhei uma força,  fui para a casa e falei ‘agora ninguém me segura’. 

E não segurou. Hoje, Danielle comanda três bistrôs Ruella, é a primeira mulher a apresentar o Hell’s Kitchen nos 16 países que o programa é produzido. Além disso, vendeu dois programas escritos por ela, que serão estreados na TV fechada em 2019. 

“Quando você faz o caminho certo e não mais fácil a vida conspira a favor. Precisamos cuidar  das pessoas ao nosso redor e saber qual é o motivo para nossa felicidade", finaliza.